CRISE AMBIENTAL
Explicando porque a crise ambiental da atualidade não pode ser resumida unicamente a intervenções recentes do ser humano sobre o meio.
Buscando a história para interpretar a evolução da crise.
Creditar a responsabilidade da atual crise ambiental unicamente aos impactos recentes causados pelo ser humano é, no mínimo, injusto e sem argumentos sustentáveis.
Já em 1854, na carta que o Cacique Seattle escreveu ao Presidente Norte Americano sobre a proposta recebida para vender a terra onde a tribo sob seu comando habitava, percebe-se de forma clara, a relação exploradora que o homem tinha com a terra, quando ele declara:
"Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem a noite e extrai da terra aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho".
Quando o naturalista Ernst Haeckel, em 1866, criou o termo ecologia, advinda da junção das palavras gregas oikos, (casa ou família), e logos, (estudo), o fez voltado mais especificamente para os seres vivos. A preocupação naquele momento era estudar esses seres de forma isolada, sem considerar como se relacionavam com o meio ambiente.
Em nome desse estudo muitos animais e plantas foram sacrificados de forma impiedosa. O próprio Haeckel não se incomodava de matar, de forma indiscriminada, animais com esse objetivo. Joseph Hooker, famoso botânico inglês, convenceu seus carregadores a percorrer florestas em busca de orquídeas raras. Além disso, espalhou a notícia, entre amantes dessa planta, que a coleta e venda de orquídeas das florestas era um bom negócio.
Somente depois é que Hackel propôs que a Oecologie em vez de tratar as espécies de formas separadas examine o modo como elas interagem com o ambiente físico e com outras espécies ao seu redor.
No Brasil, apesar da descrição fantástica feita por Pero Vaz de Caminha de nossas belezas naturais, comparando-as ao Éden, Pádua (PÁDUA, JOSÉ in “Natureza e projeto nacional: As origens da ecologia política no Brasil”) observou que a relação dos descobridores estabelecida com a terra foi conflituosa tendo em vista que havia dois olhares.
•O da cultura renascentista, que se fascinava com os relatos da viagem e com a possibilidade de alargar conhecimentos através da descoberta de novas terras;
•O mercantilista, interessado em ampliar o espaço do comércio, criar novos monopólios, explorar riquezas e aumentar a renda dos Estados nacionais em construção.
O tema natureza serviu para essas duas correntes de forma convergente e antagônica. Prova disso foi que o nome da terra inspirou-se na planta chamada Pau Brasil, sobrepondo-se ao nome religioso original "Terra de Santa Cruz".
Pádua (PÁDUA, JOSÉ in “Natureza e projeto nacional: As origens da ecologia política no Brasil”) relata:
"O Pau Brasil não era uma árvore qualquer, mas sim o primeiro elemento da natureza brasileira passível de ser explorado em larga escala para benefício do mercantilismo europeu. .... O Brasil era um imenso "pau-brasil" uma rica natureza a ser usada e explorada sem preocupação alguma além do ganho imediato".
Essa visão nos custou a destruição das florestas nativas.
Ao referir-se aos ciclos econômicos brasileiros Pádua compara-os ao que hoje chamaríamos de desastres ecológicos. "Repetia-se mais uma vez o ciclo normal das atividades produtivas no Brasil. A uma fase de intensa e rápida prosperidade seguia-se outra de estagnação e decadência". (PÁDUA, JOSÉ in “Natureza e projeto nacional: As origens da ecologia política no Brasil”). E assim aconteceu com o Pau Brasil, a Cana de Açúcar, o algodão o ouro e os diamantes.
José Bonifácio em 1823 já denuncia a situação de destruição de nossas terras, alertando sobre a possibilidade de nossa pátria ficar tal qual os páramos e desertos da Líbia.
O diagnóstico ambiental feito por Nabuco(1880) era bastante desalentador: solos inférteis no Rio de Janeiro, decadências das monoculturas no Nordeste, expansão da seca agravada pelo desmatamento. André Rebouças tinha a mesma visão de Nabuco quanto a situação da natureza no Brasil.
Alberto Torres, em 1914, corroborou com o que José Bonifácio havia falado em 1823, quanto à exploração predatória da terra, à ociosidade da grande propriedade e à ausência de um desenvolvimento da Economia Brasileira.
Rachel Carson em 1962 publica o livro Silent Spring, que causa grande impacto, alertando sobre o futuro de um mundo envenenado por pesticidas. Revela também a mudança nos conceitos de como as atividades humanas impactam o meio ambiente.
Ao longo de toda história nos deparamos com fatos que comprovam que a crise ambiental atualmente existente remonta do princípio da habitação do homem na terra. Vários fatores, ao longo do tempo, vem causando danos cumulativos à terra, provocando-lhe os mais diversos prejuízos.
A interdependência dos inúmeros fatos obriga-nos a pensar de forma global os efeitos que uma ação particular pode desencadear no planeta.
Não podemos nos creditar a culpa pelos estragos, mas também não devemos nos isentar disso. Culpar o curso da história ou outras gerações por essa situação e não fazer nada é o mesmo que entrar em campo no segundo tempo em time que está perdendo sem efetuar esforços para mudar a situação. O sabor da vitória nunca será experimentado e nosso time afundará mais um pouco no ranking geral do campeonato. Soerguê-lo se tornará cada vez mais difícil.
Devemos olhar para o passado para que não cometamos os erros anteriores e tiremos lição dos acertos ou propostas que objetivaram evitar a desarmonia dos homens e do meio ambiente.
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