Por Maria Gleide Brandão Mendes
“Tempo” é uma palavra que possui muitos significados: cronologia, instante, época, condições meteorológicas, flexão indicativa do momento verbal e outros. A noção de tempo que aqui se refere tem o significado cronológico. Nesse sentido Aurélio a define como a sucessão de anos, dias, horas, etc., que envolve a noção de presente, passado e futuro.
“Tempo geológico” agrega a essa definição outras visões que são consideradas. É como se nesse sentido fosse preciso mais “tempo” para o “tempo” ser “tempo”. Tanto “tempo” exatamente para enfatizar essa percepção estirada da palavra que o “Tempo geológico” atribui ao “tempo”.
Tendo como referência o surgimento do homem na terra que aconteceu há cerca de 1.000.000 de anos e comparando-o com a idade do planeta terra, que é 4.500.000.000 de anos a noção “tempo” no “tempo geológico” é infinitamente mais representantiva e longínqua que a utilizada no nosso dia a dia.
James Hutton considerava o tempo geológico imensamente longo. No “Tempo cotidiano” essa visão é exatamente oposta, é como se a cada dia o “tempo” encolhesse e fosse necessário agir de forma racional ou técnica para que os acontecimentos ocorressem o mais rápido possível.
Nas duas concepções há uma diferença de conceito muito grande, enquanto na primeira 1.000.000 de anos é uma pequenina parte, na segunda ela é o todo, instante onde tudo ocorreu. Utilizando as palavras de David Brower pode-se ver claramente essa distância e o quanto o homem e o seu tempo é insignificante dentro desse todo:
"Tomemos os seis dias do Gênesis como imagem para representar o que, de fato, se passou em quatro bilhões e meio de anos. O nosso planeta nasceu numa segunda-feira à zero hora. A terra formou-se na segunda, terça e quarta-feira até o meio dia. A vida começou quarta-feira ao meio dia e desenvolveu-se em toda sua beleza orgânica durante os quatro dias seguintes. Somente às quatro da tarde de domingo é que os grandes répteis apareceram. Cinco horas mais tarde, às nove da noite, quando as sequóias brotam na Terra, os grandes répteis desaparecem. O homem surge só à meia-noite, Cristo nasce. A um quadragésimo de segundo antes da meia-noite inicia-se a revolução industrial. É agora meia-noite de domingo, e estamos rodeados por pessoas que acreditam que aquilo que fazem há um quadragésimo de segundo pode continuar indefinidamente"
Para a maioria das pessoas as paisagens naturais nunca se alteram, são estáticas. Exceto quando ocorrem terremotos, catástrofes e calamidades como erupções vulcânicas ou ondas gigantes. A paisagem geológica não muda de forma perceptível durante o tempo de várias gerações humanas. Mas a terra, dentro do seu “tempo”, é altamente dinâmica, tendo sido testemunha de inúmeras transformações: Mares se formaram, oceanos e cadeias montanhosas desapareceram, inúmeras espécies de seres vivos ascenderam e regrediram. O formato dos continentes se alterou.
A teoria de Alfred Wegener sobre a deriva continental fala de um supercontinente chamado Pangéia (nome grego que significa toda terra) que começou a se fragmentar há cerca de 300 milhões de anos, tendo a África se separado da América do Sul e entre elas surgiu o Oceano Atlântico.
A teoria universal das placas tectônicas , quarenta anos depois, explica melhor essa movimentação dos continentes.
Assim como para os Seres Humanos existe um “tempo” para tudo, obedecendo aos ciclos naturais da vida, também na Terra esses ciclos existem. A diferença é que a dinâmica Humana é mais acelerada que a da Terra.
O capitalismo, atual modelo econômico vigente, estando centrado no capital e na acumulação de riquezas exige que as pessoas produzam e consumam cada vez mais, sem se preocupar com a preservação da natureza e sem contar que é incompatível o tempo que a terra precisa para se recuperar das agressões praticadas pelas sociedades com o que lhe é exigido.
A interferência do homem no planeta, pode estar abreviando os processos de evolução da natureza o que vai alterar o conceito de “tempo geológico”. Os fenômenos de desertificação e seca que estão ocorrendo no nordeste, as chuvas torrenciais que acontecem no sul e sudeste são fatos que levam a crer nessa hipótese.
Assim, dado a essas realidades imagina-se que, os recursos naturais podem estar à beira de um colapso o que compromete toda a existência na terra.
O homem não possui tradição histórica suficiente para afirmar com toda certeza que a atual exploração da natureza a levará à destruição, porém essa sendo mais lenta nas suas transformações e respostas tem mostrado que está atenta aos fatos.
De nossa parte toda atenção e cuidado deve se dispensar para os sinais de alerta dados pela natureza. Como filhos que somos, é preciso estar atento para o que a nossa mãe nos indica, sua sapiência e longevidade não podem ser ignoradas.
Bibliografia:
CARNEIRO, Rosane. Meio Ambiente e história – O cotidiano do Passado. Revista Senac e educação ambiental. São Paulo, nº 1, ano 13, jan/abril 2004.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1989.
NATUREZA e sociedade na linha do tempo. São Paulo: Sociedade, natureza e desenvolvimento, 2005. 24 p. ROSE, Susanna Van. Aventura na Ciência: Terra. São Paulo: Editora Globo, 1994. -
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